Existe um efeito colateral que deixo para os psicólogos de plantão analisarem e que normalmente acomete o agente de um determinado tipo de violência que é a repetição da violência sofrida anteriormente. Ou seja, é como nos filmes de vampiro no qual aquele que foi mordido, passa a morder as suas vítimas também, como que para perpetuar a violência primeira.
Pois bem, a TV tem exatamente este papel. As imagens que invadem nossas casas passam mensagens subliminares que se depositam na nossa massa cinzenta nos levando a não só a reter a informação como que nos forçando a repeti-la e não esquecê-la. Os experts no assunto ou publicitários das grandes agências de marketing conhecem bem a fórmula e se superam a cada dia, sejam nas propagandas comerciais, nas propagandas políticas e até na maneira em que estampam as notícias nos jornais, revistas e telejornais.
Bom é aí que mora o perigo. Já repararam que recebemos um monte de notícias vindas de várias partes do mundo com uma certa repetição? Quantas vezes você já viu a notícia da mãe que deixa seu filho recém-nascido numa lixeira ou do cara que entra em uma escola e faz vários disparos? Alguns dirão, mas eu não repito essa violência que assisto, mas será? Será que pelo simples fato de comentarmos o que assistimos não estamos propagando como um vírus o evento? E as pessoas realmente susceptíveis não serão afetadas? Em um show de hipnose quando o protagonista solicita que cada um do auditório entrelace suas mãos e que ao contar até 5 ninguém vai conseguir desgrudar uma mão da outra, cerca de 3% realmente não consegue e daí o artista chama essas pessoas para o palco e começa o espetáculo. Imaginem milhões de espectadores espalhados pelo mundo afora assistindo cenas de violência. Uma parcela significativa será realmente estimulada a repetir as cenas que viram. Outras irão adequá-las ao seu cotidiano e as modificarão de certa forma, outras só comentarão e de certa forma “entregarão” essa ordem subliminar, esta hipnose ou sugestão para os realmente susceptíveis. O maior perigo são nossas crianças. Elas são o público mais fácil de ser sugestionada. Imaginem o que já existe plantado em suas mentes, vistas por esse ângulo?
O que devemos fazer então? Como combater ou pelo menos minimizar este efeito devastador? Acho que o antídoto é não reter essas informações, não carregá-las na mente, não assistir esses programas e nem comentá-los com terceiros. Assim como não comemos coisas estragadas e selecionamos nossa alimentação, assim também devemos selecionar o que assistimos, o que ouvimos, o que falamos, enfim onde está a nossa mente, nossa atenção, aí estará a nossa realidade. Lembrem-se que atraímos o tempo todo aquilo que pensamos e sentimos o tempo todo.


